Mensagem

Esta manhã fiquei sentado, a olhar os primeiros raios de sol, ali, sozinho no meio da casa, sentia o corpo dormente, percebia cada corrente de ar que passava pelo meu corpo. Fiquei durante algum tempo, apenas escutando o silêncio. De olhos fechados, recriei o encontro de dois mundos, que numa tangente se roçaram, deixando incrustados em cada um, pedaços do outro.

Esta manhã senti que estavas a meu lado, como em tantas outras manhãs, soprando-me ao ouvido, avisando-me da tua presença como vento quente que me atravessa. Esta alvorada, no limiar entre a magia da noite, dos sonhos, e o lento despertar das realidades, apareces para me visitar, como estrela da manhã. Sinal de que terminamos a transição entre a noite e o dia, entre a ficção e a realidade.

Em minha boca, recordo ainda o sabor do teu corpo, em meus dedos guardo ainda pedaços teus, como último instante de um momento que ficou aprisionado no tempo, no meio desta galáxia perdida no cosmos. Restam as memórias que guardamos, recordações deste tempo em que se entregam abraços, beijos molhados. Neste livro sem palavras que é teu corpo, folheei-te, desfolhei-te com a ponta destes dedos de luz, que preencheram a tua alma e te entregaram a mensagem divina que para ti estava guardada.

5 comentários:

lia disse...

Um livro folheado a dedos que o escrevem, nele inscrevem as letras que os sentidos traduzem em líguas de salivas partilhadas e guardadas.
Uma flor de pétalas doces, a dedos de luz desfolhadas, caindo uma a uma sobre teu peito como gotas de um orvalho matinal que o sol absorve.
Um silêncio que te sussurra palavras distantes presentes em alma impressa, em corpo que as sente e se arrepia.
Uma magia que ao mago surpreende, supera e o faz render-se na evidência de um sentir ausente incompreensivelmente presente.
Uma memória impressa no teu poema, tatuada na pele de teu corpo, num infinito temporal que o cosmos acolhe e aceita no universo.
Uma mensagem em mim decifrada.

Layara disse...

Lindas Letras!

Um beijo Lilás!

sereia encantada disse...

Fecho os olhos e escuto a tua voz longínqua...

Lá fora está um frio de inverno
e a lareira teimou em se apagar.
Não sei se é do champanhe
ou do chocolate que trinco lentamente, mas invade-me um calor doce e fermente enquanto lês para mim…

“Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,
Assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega. (…)
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme. (…)
Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça (…)”

Abro de novo, este livro que se fecha,porque nada mais há para escrever...
E caem soltas pétalas de rosa
que tanto teriam a dizer.
Terá sido apenas um sonho, a expressão de um desejo ou uma pagina arrancada no livro da vida?

Aqui e agora, permite-me que leia para ti,

“Também este crepúsculo nós perdemos
Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
Enquanto a noite azul caia sobre o mundo. (…)
Eu recordava-te com a alma apertada (…)

Caiu o livro em que sempre pegámos ao crepúsculo (…)”
Pablo Neruda


Algures no Universo a história continua...

Sonia Schmorantz disse...

Decore sua alma ,
da forma mais linda que souber,
com uma poesia que lhe toque o coração,
para que na sua mudez, seja feliz,
pois alma que é, será sempre sua,
sem que ninguém no mundo a tire de você.
(Eda Carneiro da Rocha)

Desejo a você um maravilhoso final de semana,
Com muita paz e carinho.

Sônia

ellen disse...

A saudade...!

Beijinho