Pequenos silêncios

Hoje desperto no silêncio da madrugada, acordo o corpo, que a alma já vela a muito. Escuto o som do mundo que gira lentamente sobre si mesmo, escuto o Sol que rasga a noite em pequenos riscos de luz. E neste murmuro, vejo chegar o dia, num pequeno sussurro que ilumina o brilho do meu olhar. Escuto o ranger da madeira sobre meus pés descalços enquanto caminho, vou em direcção à janela, olhar a neve que lá fora se acumula em mantas suaves de branco imaculado.

Daqui vejo as árvores salpicada de branco, as águas frias do lago agitam-se em pequenas vagas empurradas pelos ventos gelados. Escuto o crepitar da lareira que atrás de mim queima os restos da fogueira da última noite. O corpo reclama do frio que a pele lhe anuncia, arrepiando-se. Com os sentidos despertos, escuto cada pedaço de silêncio quebrado, num detalhe ínfimo de um mundo escondido a que quase nunca prestamos atenção.

Escuto o expirar da minha respiração, lançando no ar uma pequena nuvem de vapor que embacia os vidros à minha frente. Inspiro a aragem fria desta manhã, rodeado de ausências, recolhendo em mim cada detalhe que escuto, percebendo um outro mundo escondido nos ruídos do quotidiano. Solto os dedos, que na saudade dos desejos, escrevem na vidraça da janela palavras que soluçam na fricção dos dedos sobre o vidro.

A neve cai lá fora, como lágrimas de ausência abraçadas em ventos de tempestade que se precipitam sobre este lugar encantado. Escudo o murmúrio que carrega ao tocar o chão a meus pés.

30 comentários:

anabelarmina disse...

Solto os dedos, que na saudade dos desejos, escrevem na vidraça da janela palavras que soluçam na fricção dos dedos sobre o vidro.

A neve cai lá fora, como lágrimas de ausência abraçadas em ventos de tempestade que se precipitam sobre este lugar encantado. Escudo o murmúrio que carrega ao tocar o chão a meus pés

tão acolhedor e lindo como sempre
beijo de boa semana

Layara disse...

Neve...vapor da boca na vidraça, olhando a neve que cai como lágrima, escrevendo palavras de amor na janela no quotidiano feito de silencios...nesse inverno vou deixar a lareira acesa crepitando chamas que aqueçam nossos dias de silencios frios.

[deu-me frio, hoje o sol está suave e morno, ja com roupa de verão a primavera está passando com flores de hibiscos nos pés]

beijos do meu Horizonte!

Elaine Barnes disse...

Uma obra prima de descrição. Me senti aí, respirando junto. rs... Muito bonito mesmo. Obrigada pela visita e comentário bjs café pra você

Erica Vittorazzi disse...

Ser ouvidos de verdade. Tudo tem vida . E assim, porque imaginarmos tão sós?

Lindo demais!!!!

Moni disse...

adorei! deu pra sentir daqui e imaginar cada cenário.. uma mistura de sentimentos! beijos

Olhos e pensamentos disse...

a blogosfera anda saudosa hj, bjs

Secreta disse...

Há pequenos silencios, tão poderosos negativamente que nos cercam de frio...

Érica disse...

Linda crônica poética. Rica de detalhes, sinestésica quase...
Fantástico.
Beijos

Moonlight disse...

Belissimo foi...daqui conseguir sentir esse friozinho traduzido em suas palavras.

ana p roque disse...

Belo...como sempre,mas nostálgico.
Dar voz aos desejos...quebrar o medo e o silêncio...escrever na página da vida ao invés da vidraça...
"Beber dessa Luz e apagar a noite...
Só Deus sabe o que virá,só Deus sabe o que será..."
Há um passado que fala e apela a seguir rumo ao futuro.

Boa semana.
bj

E.Rakowski disse...

Muitas vezes é necessário
o silêncio...
um tempo sem tempo,
e essa saudade que machuca,
amanhã talvez não voltará!





Um abraço.

Judite (Dite) disse...

Um silêncio apetecivel e contagiante!
Quem não deseja tê-lo por perto! Muito bonito!
Um beijo,
Judite

Desnuda disse...

Belíssima narrativa, como sempre. Ah, estes pequenos silêncios que tomam toda a extensão do nosso ser....


Carinhoso beijo

SILVIA disse...

En ocasiones, los pequeños silencios calientan nuestro pepetuo invierno.
En ocasiones, las palabras, alientan nuestras almas.
Bellas palabras las tuyas.
Mil besitos!!!

angela disse...

Bonito poema, as ezes tenho saudades de um amor nunca vivido e me encontro com ele aqui em seus poemas.
beijos

pequena disse...

Poxa...

tão lindo, fiquei sem palavras rs

bjos e boa noite!

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

A saudade faz a dor ficar mais acentuada.

Noite de luz, querido amigo.

Rebeca


-

Barbara disse...

De repente, tornaste-te tão encantada quanto o lugar...

Sanzinha disse...

Amo o frio.
Adorei o texto.

Beijo!

Lolla...doida varrida! disse...

lindo,lindo,lindo texto.
parabenssss.
bjus xuxu

Cadinho RoCo disse...

O ruído dos passos na madeira é rastro por demais sugestivo.
Cadinho RoCo

Tatiane Trajano disse...

Lindo demais, senti cada palavra..

Fabricante de Sonhos disse...

Olá!

Uma crônica lindíssima, tocante, cheia de signos e códigos e imagens!
E o que é melhor nisso tudo é como vc deu um tom poético a tudo!

Muito bom mesmo! Amei!

Andei sumida da Blogsfera mas agora já to de volta, viu?!

As portas da fábrica de sonhos estão abertas!
Apareça!

Um beijo enorme!

praia da lua disse...

a verdade está em saber escutar o murmurar, para que as lágrimas não sejam pesadas, como flocos de neve, nem que a nossa existencia não seja um mero ranger de caruncho...

PERPLEXIDADE disse...

nossa... que palavras tão grandes... que exatidão... de sensações e sentidos!

parabéns!

;D

A Itinerante - Neiva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A Itinerante - Neiva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Elaine dos Santos disse...

Texto D - I - V - I - N - O. Ameeeeeeeiiii :)

# נєѕѕ # disse...

Oiee
tenho um selo pçra vc!!!
beeijoo*

Norma Villares disse...

Tem dois selinhos pra vc. Abraços