Os meus blogues:
-Absorvência
-Convexidade
-Ínfimos
-Inflexões
Há
um instante em que perdemos o equilíbrio, em que o corpo se sente
tonto, em que a alma se sente zonza e tudo em redor parece desabar,
cair para qualquer lugar. Esse é o momento em que percebemos a nossa
fragilidade humana, em que entendemos como os anos não perdoam a
caminhada e tudo, mas tudo, o que se ganha se perde nesse momento,
até a verticalidade dum ser em desequilíbrio. Hoje, mais do que
nunca, senti como os meus pés estão cravados na terra, como são
raízes que não me deixam voar, como folha solta em brisa de noite
de luar. Ainda assim, quando todo o mundo colapsa, quando se apregoa
o fim dos tempos, há sempre em mim um hiato, um lugar dentro
guardado onde consigo voar, onde sinto o ar tocar-me como se fosse
vento, e levar de mim qualquer tormento.
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Sinto as teclas do piano soltar as notas que agitam o ar com a vibração da paixão do meu dedilhar. Da mesma forma sinto o teu corpo chegar, dançando o lânguido ritmo da música. Preenches o espaço sobrevoando o chão com teu vestido acariciando o soalho do salão. Sentas-te em frente das minhas mãos, que prosseguem com efusão, provocando a música, despertando em ti esse vulcão. Afastas as pernas e deixas que leia a partitura do teu desejo...
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Sinto as teclas do piano soltar as notas que agitam o ar com a vibração da paixão do meu dedilhar. Da mesma forma sinto o teu corpo chegar, dançando o lânguido ritmo da música. Preenches o espaço sobrevoando o chão com teu vestido acariciando o soalho do salão. Sentas-te em frente das minhas mãos, que prosseguem com efusão, provocando a música, despertando em ti esse vulcão. Afastas as pernas e deixas que leia a partitura do teu desejo...
Sempre, neste estádio de sublimação, o fulgor em mim é fusão de corpos, amálgama de peles contorcidas ao sabor dos solavancos mais apertados da vontade de um tomar o outro. A música é grito contido no gemido mais intimo duma boca fechada porque saboreia os goles agridoces dos fluidos em ti derramados.
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A degustação do silêncio em meio à cacofonia dos dias é um presente. Sei que à frente, num tempo já não distante, terei pavor do vazio de sons da minha solidão, ainda assim, hoje, procuro desesperadamente por esse momento em que possa ficar a sós com os meus pensamentos. É a ironia da vida, que nos leva sempre a correr atrás do que não temos, desprezando tantas vezes aquilo que depois se revela importante.
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Atiço o lume que carregas no ventre, sopro a pele, como se quisesse que se transformasse em chamas e queimasse o meu corpo com o prazer das labaredas. As minhas mãos são como galhos secos que entram em combustão imediata ao sentir o teu calor.
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Por vezes creio ter enlouquecido ao ouvir determinados relatos de atitudes perpetradas por seres que se dizem humanos. Será a palavra humanidade ainda extensível a todos aqueles que caminham sobre os próprios pés e se dizem inteligentes?
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Por vezes creio ter enlouquecido ao ouvir determinados relatos de atitudes perpetradas por seres que se dizem humanos. Será a palavra humanidade ainda extensível a todos aqueles que caminham sobre os próprios pés e se dizem inteligentes?
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Encontro no fluxo dos rios que são tuas pernas a confluência do desejo procurado. A vontade de ser de ti um pedaço de mar, na foz dos teus sentidos.
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(Blogue por convite, enviar e-mail para noite.druida@gmial.com para solicitar acesso)
- Convexidade - O apelo dos corpos, blogue aberto
- Absorvência - A vontade de sentir a alma, blogue aberto
- Ínfimos - O desejo da paixão, blogue intenso apenas acessível por convite envie e-mail para noite.druida@gmail.com
- Inflexões - Momentos de revolução interior, blogue aberto
Regresso
Foste silêncio em minha ausência. Pedaço de essência que os ventos agrestes do deserto disseminaram sobre as areias quentes. Eu verbo vazio que no estio me deixei adormecer. No mar azul onde a praia vem beijar os teus lábios de carmim, sou onda que teu corpo afaga, sou sumo que tua língua abraça num gole sedento de vida. Nesta caminhada, persigo as tuas pegadas que me ensinam o caminho por onde devo seguir-te, as fragrâncias intensas do teu corpo chamam os meus sentidos, e em momentos perdidos sou o livro que não lês.
Neste pedaço de terra esquecido pela natureza, onde apenas o vazio impera, resigno-me ao isolamento, guardando em mim todos os momentos, recordações de palavras já escritas, frases tantas vezes ditas. Procuro desenhar o meu corpo, redefinir a minha sombra, como reflexo do teu brilho. Vejo os vultos passar, exóticas mulheres de negro vestidas, rostos escondidos, olhares intensos, profundos chamamentos. Nesta mescla de incensos e odores, percebo a distância do teu perfume, sabor doce da tua pele que em minha língua guardo.
A minha alma absorve a atmosfera que me corpo envolve, degusto estes sabores que em mim se impregnam como novas pedras na construção da estrutura que me suporta. Apreendo o mundo, nos diversos instantes, detalhes que se tornam significantes. Abraço os detalhes e deixo que o teu vento me leve, de regresso ao âmago da tua alma. Voo como pássaro em migração em direcção ao teu regaço.
Frágil sentir
Absorvo do silêncio o seu último grito. Prazer que em bocas calada suspendo. Falo nas letras que te escrevo e não digo, para não quebrar este momento. Perfumo com o gosto da minha língua a tua pele desnuda, persigo nos voos os teus sentidos. Moldo na areia molhada os sonhos que a praia vazia resguarda das ondas da vida. Escondo, sob os lençóis de cetim a luxúria por nós sentida nas noites da vida. Afago teu rosto que sob minhas mãos adormece.
É silente este instante, em que há porta de um novo universo aguardo a tua chegada. Na brisa deste vento que transita entre mundos diversos, solto aromas de palavras escritas no ar que nos percorre o corpo. São afagos que minhas mãos libertas esparjam sobre teus contornos suaves. De asas aberta percorro o abismo que como fio de navalha se ergue das trevas e corta o espaço entre vidas. Sem mácula percorro o gosto de teus lábios que num beijo encerro.
Desenho cada letra, como se de um alfabeto estranho se tratasse, e nas palavras coloco minha alma, escondida em cada traço negro na folha imaculada de papel. Em cada carta que te escrevo, meu corpo inteiro te entrego, como envelope que meus desejos esconde, como invólucro que nosso amor protege. Sou armadura que defende os golpes do quotidiano, sou abraço que em cama de penas teu desejo acolhe.
Adormeces em mim
Adormeces, exausta da viagem, tua almofada meu braço que tua alma protege. Teus pés enlaçados nos meus são como fios da mesma corda que se entrançam. O teu perfil percorre o meu numa ténue linha que nos une, meus dedos percorrem a tua pele que despida à minha se cola. Teu dorso meu peito roça, teus cabelos meu olfacto adoçam. Deslizo a palma da minha mão sobre teu ventre liso.
Sopro-te ao ouvido histórias de encantar, falo-te sobre mundos distantes, memórias de antigas vitórias, momentos de simples encantamentos. Digo-te detalhes de um lugar, onde o sonho é o despertar, um instante que separa o tempo em pequenos fragmentos de magia. Onde a vida é apenas a euforia de dias cálidos e revigorantes, onde os corpos são apenas amantes.
Nas estrofes desconcertadas de meus versos, falo-te de momentos diversos, dedilho as motas duma música de encantar, onde o trovador não se atreve a cantar, apenas escreve, descreve e desenha mundos para que possas imaginar. Tu, sentada nesse balouço de cordas enfeitadas com rosas silvestres, balanças em teu colo meu corpo de duende. Sinto-me voar quando teu corpo são minhas asas que nos levam a sonhar.
Secreto perfume
Meu corpo feito de centelhas gira em turbilhão de luz em redor do teu. Sou o ar que te abraça, a água que te escorre pela cara, resvalando nos sentidos de tua pele. Sou o mel que adoça teus lábios, o céu que perscrutas com astrolábios. Sou o silêncio da tua noite, o perfume que teu corpo exala. Sou rosa, cujas pétalas em teu colo repousam, sentidos que tua alma abraçam. Sou o fogo que sem nenhuma chama te aquece, a ternura que em teu olhar amanhece.
Envoltos nos corpos um do outro, somos espiral de prazer, que em contornos suaves se dissolve em nosso ser. Somos a letra de tantas músicas, a melodia de tantas canções, somos lume, quimeras e paixões. Amantes esquecidos num esquina do tempo, gotas de chuva que em oceano se fundem. Um momento em nós é um toque de eternidade que sublima a existência. Um segundo é em toda a sua extensão um imenso coração que se abre às loucuras da paixão.
E quando o dia nos ilumina, percebemos os contornos da realidade que gira lá em baixo, num planeta distante. Sentimos a vontade de ficar, sabendo que temos de regressar, tomar posse de nossos corpos que jazem abraçados um no outro. A vida reclama-nos, o sono termina com suave despertar, um beijo, um olhar. No ar, paira aquele secreto perfume que remanesce desta viagem celeste.
Música para este texto.
Música para este texto.
Resgate
Escuto a tua voz, que na distância me chama, sofrido grito abafado, pálido fogo que arde em ténue chama. Deslizo no vento, aguçando as asas, procurando teu lamento. Sei o que me pedes, entendo a dor que em teu corpo sentes. Encontro-te adormecida, em teu corpo a alma cingida, em teus sonhos apenas tormento, desencantos. Minhas asas protegem-te, envolvem a tua pele no abraço de meus braços. Agita-se o perfume que se solta de teus cabelos, nesta viagem pelos céus, vamos despertar noutro lugar.
Sentes o calor, como se despertasses numa nuvem de algodão, a luz acaricia-te o olhar que se abre para este lugar, um mundo novo, de luz diversa, não és mais tu, mas outro ser, carregado de sinergias. Olhas-me, sim, consegues ver-me, tocas-me, sentes pela primeira vez a textura do meu corpo que aqui é palpável. Sorris, percebes que deixastes para trás todos os pesadelos, todas as vidas e caminhos, todas as dores e lágrimas. Nasceste, num novo mundo, cheio de novas gentes.
Deslumbras-te nos detalhes, na simplicidade deste espaço onde tudo vive em harmonia, onde os sentidos são a pele que vestes e as palavras não se dizem, ecoam na nossa mente. Este brilho azulado provem de todos os lados, porque a luz deste mundo está dentro dos que o habitam, cada um de nós é um farol que ilumina a atmosfera que respiramos. Aqui, apenas habitam sonhos, e tu, como eu, somos energia pura, como se estivéssemos impregnados da essência de todas as almas do universo.
Cristal
Nesta viagem pelos tempos, sou energia fluída em que teu corpo mergulha. Sou elixir que tua alma reanima, como remédio que tuas feridas sara. E das minhas unções, mesinhas e pregões, exalto as formas alquímicas que através do espaço difundo. Na tua pele esparjo perfumes, incensos e lumes que tuas chagas fecham, como se as dores soubessem onde adormecer por momentos, como se as mágoas a que te votas, num instante qualquer de tuas vidas, fugissem ao ver-me chegar.
E da tua aura nascem novas cores, essências, sabores. Dos teus olhos brilhantes novos mundos, prazenteiros instantes. Nos teus sentidos murmúrios que sobre a forma de novas palavras, inventas. Estórias, metáforas, ou simples quimeras. Inspiração que absorves da luz que nossos corpos une, como rio que entre nós flui, num mar imenso de sensações, reflexos, emoções. E da minha própria magia solta-se a luz do próprio dia, nesse mundo por ti desenhado, nessa histórias que neste momento, em tua mente fervilha.
Deste tempo sem memória, falo nos sons do vento, todos os meus lamentos. Poção mágica que tua alma encanta, teu corpo em meu corpo dança, teu fogo em meu vulcão expele a lava do prazer, a vida em singelo estremecer. No céu do seu olhar não se vislumbram mais nuvens de chuva, o Sol é calor que te alimenta, e a alma brilha-te como cristal de Boémia.
Sopro de vida
Percebo no teu olhar um mar por transbordar. Vejo no rebordo da tua alma uma lágrima resvalar. Será saudade, ou plena felicidade? Teu corpo feito de areia, é duna em perfeita curvatura, que o vento de meu sopro refaz num toque leve que arrasta os grão de areia com que te faz. No rodopio deste oceano seco, o sal de uma lágrima é lago, oásis por nós inventado em pleno deserto. Na música que a brisa murmura, somos palmeiras que se agitam em dança de ternura.
Na doce água mergulhamos os corpos salgados do amor que fizemos, de olhos aberto mergulhamos no cristal deste líquido que nos hidrata a alma. Somos seres de um outro mundo que na penumbra deste lugar nos dirigimos ao fundo. Procuramos com nossos braços alcançar o silêncio profundo, âmago de sonhos onde nos quedamos. Subitamente dissolvemos-nos, como se desta água fossemos feitos, essência líquida do éter do nosso espírito.
Refazemos os sentidos e libertamos em nós a luz, como feixe que pelo espaço cósmico nos conduz, numa explosão inimaginável de prazer, num brilho ofuscante de faíscas que condensam o ar em pequenas gotículas, e dos céu caímos em forma de chuva, sobre a pele árida do teu corpo desnuda. Perfumamos teus lábios com carícias que resvalam ao ritmo deste cálido sopro de vida.
Etérea paixão
Bebo no teu prazer o néctar que me faz enlouquecer. Dedilho tua pele como se tocasse na mais fina seda. Saboreio teu corpo feito de mel, imprimo nele o meu desejo em traços que minha língua vai humedecendo. Sobre nós um céu imenso, salpicado de estrelas que um oceano plantou numa onda que aos poucos se afastou. No alto, deuses espreitam, testemunhas deste amor que fazemos, destes corpos que em abraços envolvemos.
O vento arrasta as pétalas caídas das acácias, num remoinho multicolor que sobre nossos corpos despidos vem pousar, vestindo-nos, escondendo a luxúria que em suaves bramidos agita a atmosfera. Perco-me no teu olhar embevecido, percebendo em ti todo o prazer que sinto. Na tua boca deixo um beijo perdido, que uma pétala vem selar. Percebo ali, naquele instante que o mundo se transfigurou, que em nosso redor apenas luzes cintilam, como se todas as estrelas do céu formassem uma esfera que nos abraça.
Do silêncio nasce uma melodia quase imperceptível, um ritmo terno que nos embala quase num sono. Nossos corpos entrelaçados aconchegam-se ficando abraçados. Nossas almas em desalinho, preenchem o céu em remoinho, formando depois um doce arco-íris, numa paleta de cores que funde em si os nossos amores. Esta união é símbolo, perfeita sincronização da nossa etérea paixão.
Mulher divina
Desenho com as palavras os traços esquecidos de um corpo despido que é o teu. Sinto no contacto com a suavidade do papel, o risco arrastado da caneta que tua pele preenche com a tinta das letras. Sei do teu olhar como se em ti me visse, como se através dos teus olhos sentisse. Sei da tua boca, como se em teus lábios meus lábios morressem, como se fosse minha tua sede. Percebo a tua alma, que na pureza imaculada, se projecta na noite como farol que ilumina o caminho dos meus textos.
Invento teu traço de mil formas distintas, idolatrando a perfeição divina de que és feita. Crio o perfume com que me inebrias, os cabelos que minha brisa levanta ao passar com o lápis sobre teu corpo. Sabes da minha devoção à tua beleza, como minha última certeza, entregas-me teus dedos em carícias, sem medos, como se fosses quase tocar meu rosto. Juntos, inventamos a música que em tons suaves nos desnuda, como se fossemos cinzas de carvão no branco pérola da nossa ilusão.
Neste quadro de singelo papel, somos água feita de mel, pedaços incrustados de cristais que brilham na manhã escurecida pela tormenta. Somos pó desta mesma pedra que um dia foi estrela e nos céu da noite eterna e escura, brilhou, iluminando o universo por nós criado. Neste laço que nos junta, é perpétuo o movimento de teu corpo alado, sempre por mim idolatrado.
Música para este texto.
Invento teu traço de mil formas distintas, idolatrando a perfeição divina de que és feita. Crio o perfume com que me inebrias, os cabelos que minha brisa levanta ao passar com o lápis sobre teu corpo. Sabes da minha devoção à tua beleza, como minha última certeza, entregas-me teus dedos em carícias, sem medos, como se fosses quase tocar meu rosto. Juntos, inventamos a música que em tons suaves nos desnuda, como se fossemos cinzas de carvão no branco pérola da nossa ilusão.
Neste quadro de singelo papel, somos água feita de mel, pedaços incrustados de cristais que brilham na manhã escurecida pela tormenta. Somos pó desta mesma pedra que um dia foi estrela e nos céu da noite eterna e escura, brilhou, iluminando o universo por nós criado. Neste laço que nos junta, é perpétuo o movimento de teu corpo alado, sempre por mim idolatrado.
Música para este texto.
Viagem interminável
Viajo por céus desconhecidos, percorro terras estranhas, sigo trilhos antigos, procurando essências divinas. Escuto a voz das estrelas, interpreto o seu brilho, leio em livros esquecidos, frases e fórmulas perdidas. Visito almas distantes, mergulho em oceanos escaldantes, sigo as trevas procurando luz. Sinto a pele de cada rosto, bebo no olhar mais profundo os sentidos, as emoções de vários mundos.
A cada jornada, cavalgo minha montada, por desertos e vales, por imensidões e planuras, na busca incessante das essências puras. Cruzo-me com outros cavaleiros, seres de diversos tempos, digladio-me em diversas batalhas, ganho feridas, guardo vitórias e sustento derrotas. Olho muitos rostos, muitas outras almas, aprendo os seus desgostos, carrego-lhes suas auras. Saro minhas feridas, escondo minhas cicatrizes e de peito ao vento, prossigo a cada momento.
Quando a noite chega, encho de luz a minha estrela, em seu âmago aqueço a minha alma, adormeço em seus braços brilhantes, que meu corpo exausto abraça. Guardo as letras que não escrevo, em histórias não contadas, bem dentro do meu peito. No meu silêncio profundo, guardo meu outro mundo. Um dia virá o tempo, em que todos estes sentimentos, deitarei ao vento, como recordação da minha longa viagem pelos céus de outras galáxias.
Desalento
Prostro o corpo cansado na cadeira de baloiço. Os braços pendem pela falta de vontade de ser erguer em direcção ao céu. Oscilo entre uma e outra direcção, sem saber se avanço ou recuo. Esta noite não invento sonhos, não crio os detalhes de corpos esbeltos. Não te faço minha, não te tomo nos meus dedos como caneta que desliza sobre meus textos. Hoje sou apenas silêncio, lágrima perdida em rosto agreste, saudade infinita que por minha pele desce. Hoje o esquecimento invade a memória que luta por se recordar da beleza do teu olhar.
Aqui sentado, em frente à lareira, percebo a minha solidão, entendo que tudo o que és é apenas ilusão que minha mente projecta na escuridão desta noite gélida. Não existes ainda que te imagine, és utopia dos meus sonhos que numa vida vazia de momentos, invento, para fazer de ti a mulher que desejo. Deixo que o sal do meu corpo se verta em lágrimas de prata, que rolam e secam a aridez da minha tez.
Em meu redor a chuva salpica as paredes envelhecidas deste abrigo que me protege da tristeza dos meus dias de plena consciência. A floresta que envolve este lugar é hoje cinzenta, não se escutam os pássaros, apenas lamentos de velhas almas em desalento. O nevoeiro que tão bem desenhava teu corpo é agora neve que dá forma ao vazio das folhas que caíram e jazem no chão. Adormeço, recuso-me a sonhar, apenas durmo de olhos e espírito cerrados, minha alma agrilhoada deixa-se ficar.
Fusão
Escrevo o que a voz há muito calou, falo-te dos sentidos que teu corpo escutou. Sou um pedaço de saudade que em teu corpo mergulhou. Silêncio que nos nossos olhares se cruzou, momento em que tua pele na minha se encostou. Neste mar silente, és voz de vento que sopra no meu ouvido, és murmúrio de prazer que não olvido. Eu, gaivota que tuas ondas persigo, barco à vela perdido.
Juntos somos maré, que na areia macia da praia vem adormecer. Somos brisa e alento, que nos braços do novo vento deixamos voar. Somos labareda e chama, que em profunda dança fazemos crepitar a vida. Somos madeira e árvore, que em raízes profundas nossa terra fecundamos, como se fosse-mos um pranto, suave e manso. Da união de nossos corpos, resulta o fogo eterno que alimenta a paixão, o amor intenso que nasce no coração.
Nada mais que palavras soltas, que em versos se aglutinam, em pura surdina, somos caneta e papel, palavra plena que em brandos textos se propaga como saudade em tempos de vazio, que nossas almas completa, que em minha boca silencio. E nossos desejos derramo, numa vaga de luxúria insana, como aquele que apenas te quer, te ama. E tu, teus braços apartas, meu corpo recebes, e apenas sentes, o calor intenso do nosso amor que entre corpos despidos flui.
Música para este texto.
Juntos somos maré, que na areia macia da praia vem adormecer. Somos brisa e alento, que nos braços do novo vento deixamos voar. Somos labareda e chama, que em profunda dança fazemos crepitar a vida. Somos madeira e árvore, que em raízes profundas nossa terra fecundamos, como se fosse-mos um pranto, suave e manso. Da união de nossos corpos, resulta o fogo eterno que alimenta a paixão, o amor intenso que nasce no coração.
Nada mais que palavras soltas, que em versos se aglutinam, em pura surdina, somos caneta e papel, palavra plena que em brandos textos se propaga como saudade em tempos de vazio, que nossas almas completa, que em minha boca silencio. E nossos desejos derramo, numa vaga de luxúria insana, como aquele que apenas te quer, te ama. E tu, teus braços apartas, meu corpo recebes, e apenas sentes, o calor intenso do nosso amor que entre corpos despidos flui.
Música para este texto.
Natal
Hoje vou entregar a minha alma nas brisas do vento. Meu corpo em centelhas espalha-se pela luz das estrelas. Parto nesta viagem aos corações dos que ao longo deste ano vieram visitar as minhs letras. Quero estar com todos neste Natal, num afago de vento, num suave murmúrio de letras, para vos agradecer toda a inspiração, todos os comentários e devoção, que a este espaço têm aportado.
Hoje quero ser estrela, que na luz desta vela se acalenta, que em vossas mãos dadas se entrega, como presente que se dá, sob a luz deste tempo, onde a amizade é alento. Hoje sou um pedaço de todos vós, uma palavra, várias frases e muitas histórias, que me ensinaram a escrever. Nesta noite, somos apenas um só sentido, uma só forma, a expressão da solidariedade, a esperança que na verdade, amanhã seja um dia melhor, um mundo cheio de felicidade e saúde.
A todos entrego o meu carinho, como forma de agradecimento por todos os bons momentos que temos passado juntos, aqui, neste cantinho, feito de letras e frases, onde a magia é hoje a magia de Natal. Boas festas a todos.
Dança em mim
É na suave voz do teu corpo que perco meus dedos, em danças imaginadas na plenitude do teu ventre. É nos teus lábios que desenho o perfil do meu desejo. É na maciez da tua pele que deito meu rosto. É na noite do teu peito que meus cabelos se aconchegam, traçando a tranquilidade dos meus sonhos. Como bailarina, persegues no meu dorso todos os caminhos que já conheces. Fazes do meu espírito homem, e da minha alma vida, que em teus braços repousa, como criança pequena que embalas e adormeces.
Deixo-te o perfume da minha pele, resquício da minha eternidade em ti. Entrego-te na palma de uma mão os sonhos que criamos juntos, e deixo o teu corpo respirar na calma desta noite imensa que nos toma. Dançamos, em silêncio, deslocando-nos por entre a música sem perder um único acorde. Sabemos os ritmos dos corpos que em braços de outros tantas vezes deixamos levar, mas, agora reunidos somos moléculas que se aglutinam nesta música que em nós desfila.
No rubor dos rostos, sente-se a alma vibrar como as cordas dum violino que incendeia nos nossos sentidos, inflamando os corpos que de prazer se colam. Neste ritmo voamos como se fossemos um único dançarino que preenche o palco em rodopios de luxúria. As minhas mãos escorrem pelo teu corpo, como vestido de seda que te cobre, a tua pele sente a minha que se mescla, se envolve em redor de teu corpo já despido, como véu translúcido que abraça a tua alma.
Nos gemidos desta dança, derramamos pedaços de prazer que se espalham pela sala, a cada passo somos cada vez mais um do outro, até que o amor se consuma sobre o chão, como pétalas de rosas que desabrocham em nós.
Contador de histórias
Seguro na mão a caneta, a folha branca de papel, aguarda pacientemente que nela deposite os riscos com que escrevo uma nova história. Espera ser tatuada de sentimentos, de palavras, de ventos. Aguarda pelos personagens, como tabuado de palco pelos actores que hão-de encarnar os detalhes de outros corpos. Na minha mente personificam-se as curvas, que aos poucos saem tranquilamente da neblina dos pensamentos. São fantasmas que ganham vida nas palavras aqui transcritas.
Deixo resvalar a caneta, atrás de si, derrama-se um rastro de tinta fresca e húmida, que a folha, na sua ansiedade, absorve suavemente. Desfilam os cenários, caminham os artistas que envoltos na magia de uma animação inventada vivem as suas histórias. Fantasias e quimeras que o escritor em suas mãos deposita. Nesta epopeia são amantes que se desnudam e se preenchem, são lágrimas que pendem suspensas da tinta desta caneta que desliza no imaculado papel que serve de base a uma utopia qualquer.
Cego pela azáfama da encenação, abstraio-me do mundo real que se movimenta ao meu redor, esqueço os sons e escuto as músicas, apago a selva de cimento e pinto no fundo do olhar luxuriantes florestas. Desenho êxtases, provoco desejos, acendo paixões. Solto os gemidos, gritos e emoções, nas linhas que em palavras soltas vou escrevendo. Tudo isto neste silêncio, que apenas o ranger do aparo da caneta ao roçar na folha quebra.
Deixo resvalar a caneta, atrás de si, derrama-se um rastro de tinta fresca e húmida, que a folha, na sua ansiedade, absorve suavemente. Desfilam os cenários, caminham os artistas que envoltos na magia de uma animação inventada vivem as suas histórias. Fantasias e quimeras que o escritor em suas mãos deposita. Nesta epopeia são amantes que se desnudam e se preenchem, são lágrimas que pendem suspensas da tinta desta caneta que desliza no imaculado papel que serve de base a uma utopia qualquer.
Cego pela azáfama da encenação, abstraio-me do mundo real que se movimenta ao meu redor, esqueço os sons e escuto as músicas, apago a selva de cimento e pinto no fundo do olhar luxuriantes florestas. Desenho êxtases, provoco desejos, acendo paixões. Solto os gemidos, gritos e emoções, nas linhas que em palavras soltas vou escrevendo. Tudo isto neste silêncio, que apenas o ranger do aparo da caneta ao roçar na folha quebra.
Música para este texto.
Neblina
Sou bruma que se derrama pelas frestas da tua janela. Tomo conta do chão do teu quarto numa suave manta de nuvens. Beijo teu pé suspenso na beira da cama. Dissolvo-me na atmosfera morna que perfumo com a névoa do meu corpo. Como maresia em tua pele me condenso, em pequenas gotas resvalo como riacho por entre teus montes e vales, inundando todo teu corpo como chuva de Primavera.
Teu olhar desenha-me, imaginando mil formas no vapor claro da água. Teus braços envolvem-me na seda das tuas carícias que se perdem num corpo volátil e macio. Em tua boca me faço homem, em teu olhar minha alma brilha. Tomo-te, como oceano em plena tormenta, e ao teu suor junto a maresia do meu corpo, numa ondulação alucinante que se desfaz em espuma imaculada na areia da praia.
Sossega-se o vento que as respirações ofegantes relaxam, fazendo-o brisa suave, silêncio tranquilo. Dissipasse a neblina do meu ser, deixando a atmosfera limpa, perfumada das essência do nosso prazer. Sobre a cama teu corpo exausto repousa, e, lentamente, a noite vai clareando, o dia desperta no horizonte aos primeiros raios de Sol. Eu sou agora uma gota de orvalho que no beiral da tua janela repousa sobre a pétala de uma flor.
Música para este texto.
Teu olhar desenha-me, imaginando mil formas no vapor claro da água. Teus braços envolvem-me na seda das tuas carícias que se perdem num corpo volátil e macio. Em tua boca me faço homem, em teu olhar minha alma brilha. Tomo-te, como oceano em plena tormenta, e ao teu suor junto a maresia do meu corpo, numa ondulação alucinante que se desfaz em espuma imaculada na areia da praia.
Sossega-se o vento que as respirações ofegantes relaxam, fazendo-o brisa suave, silêncio tranquilo. Dissipasse a neblina do meu ser, deixando a atmosfera limpa, perfumada das essência do nosso prazer. Sobre a cama teu corpo exausto repousa, e, lentamente, a noite vai clareando, o dia desperta no horizonte aos primeiros raios de Sol. Eu sou agora uma gota de orvalho que no beiral da tua janela repousa sobre a pétala de uma flor.
Música para este texto.
Olimpo
Procuro na vertente íngreme do teu rosto, o toque do meu dedo que tua face escala numa carícia suave. Tangente perfeita que traça meu olhar pelo contorno perfeito do teu corpo, viagem que norteia o meu azimute, perfil que delineia a sombra que projectas no chão. Neste jogo de luzes, tua aura ilumina o espaço que te rodeia, perfuma-o em aromas de canela e coco, irradiando a beleza que te veste, nesse corpo, escultura idílica que magnificentemente adoro.
Deslizo a palma de minha mão, pela cordilheira de teus seios, como se esquiasse a alva brancura de tua pele, pedaço de neve quente, que não derrete, apenas sente, no suave deslizar do meu corpo, toda a minha emoção premente. Chegando ao vale de teu ventre, onde a planura impera, resvalam os dedos, pura quimera, pele de seda, onde repouso o rosto, descanso a alma, que no gélido Inverno no teu regaço se aquece.
A pulso escalo tuas pernas imponentes, como altos penedos, onde cravo meus dedos, e sinto o arrepio da tua pele macia, deixá-los prender-se, subo teu corpo colado no meu, até descobrir o vale do teu desejo, oásis secreto para onde desço, mergulhando em ti na luxúria de te possuir, como alpinista em cume de montanha, como um Deus no próprio Olimpo.
Em ti permaneço, no âmago do vulcão que nos aquece, no prazer da explosão dos nossos sentidos, admiro o silêncio que os corpos envolvidos nos oferecem como instante último do nosso êxtase.
Música para este texto.
Deslizo a palma de minha mão, pela cordilheira de teus seios, como se esquiasse a alva brancura de tua pele, pedaço de neve quente, que não derrete, apenas sente, no suave deslizar do meu corpo, toda a minha emoção premente. Chegando ao vale de teu ventre, onde a planura impera, resvalam os dedos, pura quimera, pele de seda, onde repouso o rosto, descanso a alma, que no gélido Inverno no teu regaço se aquece.
A pulso escalo tuas pernas imponentes, como altos penedos, onde cravo meus dedos, e sinto o arrepio da tua pele macia, deixá-los prender-se, subo teu corpo colado no meu, até descobrir o vale do teu desejo, oásis secreto para onde desço, mergulhando em ti na luxúria de te possuir, como alpinista em cume de montanha, como um Deus no próprio Olimpo.
Em ti permaneço, no âmago do vulcão que nos aquece, no prazer da explosão dos nossos sentidos, admiro o silêncio que os corpos envolvidos nos oferecem como instante último do nosso êxtase.
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